Mais uma vez estive a fazer o Arrifana Sunset Fest, um mini-festival em base reggae, mas também com outras sonoridades. A presença de 2 palcos ajuda a logistica de troca de grupos, pois enquanto se muda o set-up num palco, está um grupo a actuar noutro. A propósito, o camião-palco funcionou na maravilha e o PA KS que o equipa é mesmo um mimo - cada vez que o monto fico surpreendido.
Mas o que me leva a publicar esta mensagem é a atitude que alguns técnicos teem perante os sistemas/condições que lhes são apresentados, bem como perante os colegas. É por demais sabido que sempre que há vários grupos em palco, há também um compasso de espera para o acerto de backline, micros, monitores, etc. que é muito fácil de compreender que é absolutamente necessário. Por que é que raio um papagaio qualquer, apenas porque é técnico da banda A, B ou C , há-de ser mais intratável e vedeta que o manager de um qualquer grupo "superstar" ou do que o próprio grupo/artista em si (é claro que também os há 5 estrelas)? E não estou a falar de bandas de topo no nosso panorama musical... Quando uma banda traz consigo o seu técnico, é suposto este informar-se das ferramentas com que vai trabalhar : Configuração do PA, tipo e nº de micros à disposição, nº , tipo e localização de monitores, e como configurar os canais à sua vontade. É claro que ninguém lhe vai dizer para por um compressor no canal x ou uma gate no canal y ; isso é a função do técnico. E tive eu de aturar (pela 2ª vez), um tipinho (que até sabe o que faz, enquanto técnico) a chatear porque a papinha não estava toda feita quando ele chegou: que os inserts deviam estar já metidos; que os monitores já deviam estar no sítio para a banda (que ainda nem estava toda presente nem tinha ainda todo o espaço fisico ocupado); que o PA estava mal configurado (toda a gente elogiou o som!!!); que a mesa de mistura estava de lado e assim não conseguia trabalhar; e ainda por cima, com toda a má vontade e vedetismo, ainda tentava passar os limites do PA, apesar de eu estar constantemente a dizer para baixar o nível porque o processador do PA comprimia e tirava dinâmica : o que acabava por acontecer era que deixava mesmo de haver dinamica, principalmente nas vozes, como é lógico... Abençoado o inventor dos processadores digitais de gestão (uso um DBX Drive Rack, que recomendo).
Onde quero chegar, colegas, é que não faz sentido sermos de alguma maneira hostis com os colegas de trabalho e profissão pois quem fica a perder é o espectáculo e o autor-vedeta. Todos nós sempre temos alguém que sabe mais do que nós e alguém que sabe menos que nós e nunca sabemos quem está do outro lado quando aparecemos com 2 pedras na mão ou uma crista de galo na cabeça (e neste caso, não é um miúdo de 30 anos com falta de mulher que me vem ensinar coisa alguma, nem de técnica nem de relacionamento humano).
Penso que a nossa profissão deve ser brindada com cooperação e cordialidade entre colegas e que, em trabalho ou fora dele, o nosso comportamento não deva nunca ser apontado pela negativa, pois más atitudes apenas desprestigiam a profissão.
Um abraço e muitos db's a todos.
Nós, os técnicos excepcionais, bonitos e extremamente humildes, somos poucos...