Tendo tido oportunidade de ouvir e operar vários sistemas de line-array ultimamente, tenho ficado com o ouvido um pouco desgostoso. É que, em bandas de verdadeiro "rock", não consigo gostar da sonoridade final; as guitarras ficam com pouco "peso", as vozes com evidente excesso de carga aguda, tarolas e timbalões a fazer mover o couro cabeludo e os graves (mesmo graves) em nítido desequilibrio (a menos) para os médio-graves (há tendência a confundir). Safou-se as VRX da JBL (line array????), embora um pouco estridentes e uma coisa pouco conhecida em Portugal chamada Triple Onda, feita pelos nossos Hermanos e que me impressionou.
Será que quem desenha (e normalmente vende) os sistemas não se apercebe dos desequilibrios dos sistemas? OK, poderei ter um grande "impacto" de um sistema de line-array, mas quase que poria as mão no fogo que, se posto em igualdade de circunstâncias ( nº de caixas devidamente posicionadas e amplificadas e bem processadas e equalizadas) , os convencionais se bateriam em igualdade ou superioridade com a maior parte dos line-arrays, em questão de timbre e equilibrio. É claro que algumas vantagens dos line-arrays - como p. ex. a propagação - não poderão ser comparadas. Mas a que custo sobre outros parâmetros?
Acho que vale a pena pensar bem antes de ir a correr trocar um belo sistema convencional por um qualquer line-array (que todas as marcas afirmam que os deles são de longe os melhores do mercado!!!) e ouvir bem antes de gastar uns milhares de euros. É que provávelmente com uma parcela do que gastamos com um sistema novo poderemos fazer maravilhas no upgrade do nosso sistema "fora-de-moda".
Nota: Se os line-arrays são tão superiores em tudo, por que é que todas as marcas continuam a desenvolver e vender gamas de touring convencionais?
Muitos db's.
José Páscoa
Nós, os técnicos excepcionais, bonitos e extremamente humildes, somos poucos...